Exóticos e de estimação

Há quem prefira cães e gatos como companhia, mas os pássaros também têm um séquito de admiradores. São tantas as espécies que fica difícil escolher. Há os ornamentais que encantam pela plumagem exótica, os que cantam e aqueles que são verdadeiros pets, como as cacatuas, calopsitas e papagaios 

Vera Fiori

Quando aqui chegaram e viram a exuberância da fauna brasileira, os colonizadores lançaram a moda dos animais de estimação. Algumas gravuras dos artistas-viajantes Debret e Rugendas, que tão bem retratam os costumes da vida na corte, mostram animais silvestres domesticados.

Segundo Marta Brito Guimarães, médica veterinária especializadada em homeopatia do Ambulatório de Aves-USP , algumas espécies são mais resistentes do que outras. Os passeriformes (canários, curiós, pássaros pretos, pintassilgos) são mais sensíveis às infecções parasitárias do que os psitaciformes (papagaios, maritacas, jandaias, araras).

ALIMENTAÇÃO - Quanto à alimentação e procriação, cada ave tem suas características e as próprias lojas dão todas as informações necessárias.

Mas, em geral, as aves se alimentam de sementes. Essa, entretanto, não pode ser a única fonte de alimento, pois é insatisfatória em muitos nutrientes.

"O ideal é complementar a dieta com frutas e legumes à vontade", sugere a veterinária.

Aves como os curiós, pintassilgos e sabiás alimentam-se de larvas, à venda em casas especializadas.

Quanto aos ninhos, variam conforme as espécies: os fechados valem para os psitaciformes e os abertos, para o passeriformes.

De acordo com Marta Brito, ainda, todas as aves deveriam ter um companheiro.

Nesse sentido, vale saber que a época de reprodução para a maioria é a partir de agosto até fevereiro.

Na dúvida quanto à distinção de sexo, o que acontece com freqüência, em alguns casos há características que facilitam a identificação.

Com os canários, por exemplo, é fácil: os machos cantam mais que as fêmeas e é possível perceber na época da reprodução o abdômen da fêmea em formato de ovo e a cloaca do macho mais saliente, pronta para o acasalamento. Já com os papagaios, só mesmo fazendo um exame de DNA do sangue ou das penas em crescimento.

DOENÇAS - As mais comuns são as do aparelho respiratório, porque as aves apresentam deficiência de vitamina A na dieta à base de sementes. O tratamento pode ser com medicamentos apropriados colocados na água ou por via oral, subcutânea ou intramuscular.

Também o clima influi na saúde e reprodução dos bichinhos. "O clima quente favorece os animais ao passo que o tempo instável, próprio de São Paulo, por exemplo, acrescido da poluição, prejudicam muito sua saúde". As correntes de ar devem ser evitadas mas o sol da manhã faz muito bem aos pássaros.

HIGIENE, SOBRETUDO - Para prevenir as doenças, a higiene é fundamental, assim como uma inspeção diária das aves. A bandeja deve ser forrada com jornal, trocado diariamente.

A médica recomenda a limpeza dos bebedouros e comedouros com desinfetantes comuns (água sanitária, por exemplo) diluídos em água, ficando de molho por 20 minutos sendo, depois, bem enxaguados.

CUIDADOS NA COMPRA - Noventa e cinco por cento do comércio de animais no Brasil é ilegal, de acordo com dados da Abrase - Associação Brasileira de Criadores e Comerciantes de Animais Silvestres. Com isso,além de ameçarem as espécies e maltratarem os animais, os traficantes causam danos irreparáveis à natureza, ao derrubarem árvores em busca dos ninhos.

Formada há dois anos, a Abrase é uma entidade de criadores e conservacionistas científicos, donos de pet shops entre outros. Reginaldo Leone, dono da loja Zoo-Lógico e um de seus associados, destaca, entre os objetivos da Associação, o estímulo à criação de animais silvestres, bem como seu comércio legal e o esclarecimento do publico sobre como comprá-los.

A Abrase, também, presta consultoria técnica e jurídica a quem quiser montar um empreedimento nessa área.

Para Fabio Tiezzi, da loja Pet Center, que vende papagaios brasileiros e araras, quanto maior a oferta regularizada de aves de criadouros credenciados junto ao Ibama, mais dificultada será a atuação dos traficantes. Um papagaio comprado legalmente, com notal fiscal, sai por R$ 1.500,00, enquanto o ilegal custa R$ 200,00. "Quando houver mais aves silvestres reproduzidas em criadouros, o pássaro vendido com nota terá um preço acessível, desestimulando o tráfico".

Marilda Correa Heck, coordenadora do Departamento de Fauna do Ibama, é cautelosa quanto à criação de animais silvestres, cujo cativeiro é crime, exceção feita a criadouros no caso de animais não ameçados de extinção. Sua recomendação é que a pessoa certifique-se da idoneidade da loja. Esta deve emitir nota fiscal discriminando o nome científico do animal, número de registro do anel e o registro do criador.

 

Vera Fiori

CACATUA
No seriado Baretta, sucesso nos anos 70, a cacatua Fred era mascote do famoso detetive. O nome vem do malaio, kakatua, que significa papagaio grande. Originária da Austrália e Indonésia, pode custar até R$ 20 mil. As pretas estão entre as mais raras. Na foto, uma cacatua galerita, do criador Reginaldo Leone, da Zoo-Lógico. Diz ele: criada na mão essa ave imita a voz humana e se apega ao dono como um pet. Mas pode viver até 60 anos e tem um grito extremamente estridente. Acomodação: gaiolões com 60 cm de profundidade x 60 cm de largura x 60 cm de altura. Alimentação: rações balanceadas, castanhas, nozes, sementes e legumes.
Preço: R$ 8 mil

 

LORYS
Pássaros ornamentais de rara beleza são originários da Indonésia e da Austrália. Não aprendem a falar, mas criados desde filhotes são de fácil socialização. Há várias espécies: lorys arco-íris, lorys amor-amor, entre outros. É uma ave resistente que, bem cuidada, vive anos. Alimentação: pedaços de frutas ou servidas em forma de papa, com água, onde podem ser adicionados complexos vitamínicos. Também há rações específicas à venda.
Preço: R$ 2 mil a R$ 3 mil.

 

AGAPORNIS
De origem africana, os agapornis foram descobertos em 1793 e levados à Europa em 1860, com sua cor selvagem, o verde. Graças aos criadores, ganharam cores vivas como o laranja, o violeta e o amarelo. E até fizeram uma ponta no filme Os Pássaros, de Hitchcok. Curiosos e mansos, aprendem a assobiar e fazem acrobacias. Recomenda-se que sejam criados aos pares. Acomodação: o ideal seriam os viveiros com espaço para os filhotes. Alimentação: há rações balanceadas no mercado. Preço: agapornis personata, R$ 100,00 cada

 

CALOPSITAS
Originárias da Austrália e parentes das cacatuas, as calopsitas, medem cerca de 30 cm e apresentam uma crista no alto com penas diferenciadas. Reproduzem-se facilmente e aprendem a falar e assobiar quando criadas na mão. Alimentação: mistura de sementes (painço, aveia, arroz com casca) além de milho verde, pão duro, cenoura, couve e almeirão.
Preço: R$ 50,00 cada

 

CANÁRIO
Há os canários de canto, os de cor (com mais de 360 colorações catalogadas) e os de porte. Embora todos sejam valorizados, as pessoas gostam de ter os cantores em casa. Os do tipo Roller estão entre os mais apreciados. Seu canto é emitido pelo bico fechado e quanto mais grave, maior é o seu valor. Há outras raças de canto como o Harz, alemão e o Malinois, belga. Segundo os criadores, a média de vida dos canários é de 5 anos. É preciso ficar atento a doenças causadas por ácaros, problemas respiratórios e de origem intestinal. Alimentação: mistura de sementes, verduras, frutas e sais minerais. Preço: canário belga, R$ 75,00.

 

PERIQUITOS
Alegres e fáceis de adestrar, foram citados pela primeira vez, em 1789, por uma naturalista. O verde claro é sua cor original, mas a partir de mutações, os periquitos têm cerca de 200 tons. Com paciência e sucessivas repetições, aprendem a falar. Um conhecido criador levou 5 anos para ensinar quase 200 palavras! Para tanto compre filhote recém-saído do ninho, mas que já se alimente sozinho. O macho tem na parte de cima do bico (nas narinas) uma cor azulada e a fêmea, um tom amarronzado ou cinza. Alimentação: ração balanceada, frutas, verduras, legumes e pão.
Preço: R$ 70,00 (periquito inglês)
e R$ 15,00 (australiano)

 

 

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